O bloco Bicho Maluco Beleza, comandado por Alceu Valença, voltou a arrastar uma multidão pelo Centro do Recife na tarde deste domingo (8) e confirmou, em sua segunda edição na capital pernambucana, o status de uma das maiores e mais populares prévias carnavalescas de rua da cidade. Com milhares de foliões ocupando a Rua da Aurora, o desfile reuniu música, tradição, diversidade cultural e emoção, reforçando a ligação histórica entre o cantor e o Carnaval pernambucano.
Se tem Carnaval no Recife, tem que ter Alceu Valença. Foi com essa energia que o público se reuniu para acompanhar o trajeto do bloco, que leva o nome de uma das canções carnavalescas mais emblemáticas do artista. A prévia, apesar de ainda jovem no calendário oficial da cidade, já exibe força e adesão de evento veterano, repetindo – e até ampliando – o sucesso da estreia.
Multidão acompanha Alceu Valença no Centro do Recife
A concentração do Bicho Maluco Beleza aconteceu às 15h, na Rua Capitão Lima, no bairro de São José. Desde as primeiras horas da tarde, foliões de todas as idades começaram a ocupar o local, muitos vestidos com fantasias coloridas, camisas do bloco e adereços que remetem à obra de Alceu Valença e ao imaginário do Carnaval pernambucano.
Do ponto inicial, o trio elétrico seguiu em direção à Rua da Aurora, onde ocorreu a apoteose do desfile. Ao longo do percurso, o público cantou em coro, dançou frevo e celebrou não apenas a música, mas também a experiência coletiva de ocupar as ruas do Recife com alegria e identidade cultural.
Em 2025, ano de estreia do bloco na capital, cerca de 700 mil pessoas participaram da festa. Em 2026, a proposta da produção e do artista foi repetir a dose, mantendo a essência do projeto e ampliando o encontro entre diferentes manifestações culturais que dialogam com o Carnaval de Pernambuco.
Participações especiais reforçam diversidade musical
Além da presença marcante de Alceu Valença, conhecido como o poeta do Agreste, o desfile deste ano contou com uma série de participações especiais que deram ainda mais força ao cortejo. Subiram ao trio Lenine, Almério, Juba Valença, Larissa Lisboa, Juzé e Nínive Caldas, artistas que representam diferentes gerações e estilos da música pernambucana e brasileira.
A mistura de vozes e sonoridades dialogou com a proposta do bloco de celebrar a pluralidade cultural, sem perder o vínculo com as raízes do frevo, do maracatu e da música popular nordestina. Cada participação foi recebida com entusiasmo pelo público, que reconheceu nos convidados a continuidade e a renovação da cena musical local.
Cortejos tradicionais enriquecem o desfile
O Bicho Maluco Beleza também se destacou pela presença de importantes grupos e manifestações culturais que acompanharam o trajeto do bloco. Entre eles, o tradicional clube Madeira do Rosarinho, o Afoxé Ogbon Obá, a Tribo Indígena Tapirapé, a Turma de Palhaços Periquitos do Zumbi e a Orquestra Mistura do Frevo.
Esses cortejos trouxeram para a rua elementos simbólicos do Carnaval pernambucano, como os estandartes, os ritmos afro-brasileiros, as referências indígenas e o frevo executado por metais vibrantes. O resultado foi um desfile visualmente rico e musicalmente potente, que dialogou com a história e a identidade do Recife.
Repertório consagrado embala foliões
O repertório apresentado por Alceu Valença foi um dos pontos altos do desfile. Clássicos que atravessam gerações marcaram o setlist, garantindo que o público cantasse do início ao fim. Entre as músicas mais celebradas estavam Voltei Recife, Bom Demais, Diabo Louro e Ciranda da Rosa Vermelha, canções que fazem parte da memória afetiva do Carnaval da cidade.
Também ganharam destaque as versões em tempo de frevo de Tropicana e Táxi Lunar, além de sucessos consagrados da carreira do cantor, como Anunciação, Girassol e Belle de Jour. Como não poderia faltar, Bicho Maluco Beleza encerrou o desfile em clima de catarse coletiva, com a multidão acompanhando cada verso.
A escolha do repertório reforçou a capacidade de Alceu Valença de transitar entre o popular e o poético, mantendo suas músicas atuais e conectadas com diferentes públicos.
Prévia antecipa celebração dos 80 anos do artista
O desfile de 2026 teve um significado especial ao antecipar as comemorações dos 80 anos de Alceu Valença. O aniversário do cantor será celebrado oficialmente na turnê 80 Girassóis, com início previsto para o mês de março.
A passagem do Bicho Maluco Beleza pelo Recife funcionou, assim, como uma prévia simbólica das homenagens ao artista, que segue ativo, criativo e com forte presença nos grandes eventos culturais do país. A resposta do público reforçou o carinho e o reconhecimento por sua trajetória.
História do Bicho Maluco Beleza atravessa gerações
Fundado em 1992, em Olinda, o Bicho Maluco Beleza carrega uma história marcada pela tradição e pela mística carnavalesca. Um dos símbolos mais importantes do bloco é seu estandarte raro, criado pelo artista Bajado, que acompanha os desfiles e representa a identidade visual do grupo.
Ao longo dos anos, o bloco se consolidou como um espaço de encontro entre foliões de diferentes tribos, idades e origens, mantendo viva a essência do Carnaval de rua e o espírito libertário da festa.
Expansão nacional e impacto no Carnaval de São Paulo
Em 2015, o Bicho Maluco Beleza deu um passo importante ao estrear no Carnaval de São Paulo. Pela primeira vez, o bloco saiu em cima de um trio elétrico, levando a vibração do frevo pernambucano para o entorno do Parque Ibirapuera.
A iniciativa ajudou a transformar a cena carnavalesca paulistana, apresentando ao público do Sudeste a energia e a musicalidade típicas de Pernambuco. Desde então, o desfile em São Paulo se tornou parte do calendário do bloco.
Neste ano, a apresentação no Sudeste aconteceu no dia 7 de fevereiro, véspera da saída do bloco no Recife, reforçando a dimensão nacional do projeto e a capacidade de Alceu Valença de dialogar com diferentes públicos pelo país.
Bicho Maluco Beleza se firma como prévia essencial do Recife
Mesmo com pouco tempo de existência na capital pernambucana, o Bicho Maluco Beleza já se consolidou como uma das prévias mais aguardadas do Carnaval do Recife. A combinação entre um artista consagrado, repertório popular, participações especiais e manifestações culturais tradicionais tem se mostrado uma fórmula de sucesso.
Ao ocupar as ruas do Centro com música e alegria, o bloco reafirma a importância do Carnaval de rua como espaço de convivência, expressão cultural e celebração da identidade pernambucana.














