O movimento Joga Pra Elas, criado em 2015 pela organização love.fútbol como resposta às desigualdades históricas de gênero no futebol, inicia uma nova fase de atuação no Brasil com o lançamento da Liga Social Joga Pra Elas em Pernambuco. A iniciativa surge em um momento estratégico, às vésperas da Copa do Mundo Feminina de 2027, que será sediada pelo país, e tem como objetivo colocar meninas e mulheres no centro da transformação esportiva por meio de oficinas educacionais, formação de treinadoras e fortalecimento de lideranças comunitárias.
A fase preparatória da Liga Social teve início em novembro e seguirá até julho do próximo ano. Ao longo desse período, estão previstas 84 oficinas educacionais em sete comunidades pernambucanas, além da formação de 55 treinadoras e mentoras e da capacitação de mais de 100 profissionais ligados a projetos sociais e iniciativas esportivas. A proposta é criar uma rede colaborativa capaz de gerar impacto duradouro, conectando educadores, organizações locais e lideranças femininas em torno do esporte como ferramenta de desenvolvimento social.
Pernambuco recebe primeira edição da Liga Social
A escolha de Pernambuco para sediar a primeira edição da Liga Social Joga Pra Elas não é aleatória. O estado reúne comunidades com forte vínculo com o esporte, mas que ainda enfrentam desafios estruturais, culturais e sociais que limitam o acesso de meninas e mulheres às práticas esportivas, especialmente ao futebol.
A Liga Social nasce como um desdobramento do movimento Joga Pra Elas, que desde sua criação busca reposicionar meninas e mulheres como protagonistas no esporte. A iniciativa parte do entendimento de que o futebol pode ser um instrumento de transformação social quando aliado à educação, à equidade de gênero e à participação ativa das comunidades.
Ao longo dos próximos meses, as oficinas educacionais irão trabalhar temas que vão além do esporte em si, abordando liderança, cidadania, direitos das mulheres, trabalho em equipe e fortalecimento da autoestima. A formação de treinadoras e mentoras é um dos pilares do projeto, uma vez que a presença feminina em posições de liderança ainda é um dos principais gargalos no esporte brasileiro.
Esporte como resposta às desigualdades históricas
Apesar dos avanços recentes no futebol feminino, o acesso de meninas ao esporte ainda é marcado por desigualdades profundas. A falta histórica de infraestrutura adequada, barreiras culturais enraizadas e décadas de exclusão legal contribuíram para um cenário em que meninas e mulheres foram sistematicamente afastadas dos campos, quadras e espaços de decisão.
A Liga Social Joga Pra Elas surge como uma resposta direta a esse contexto. Para Mano Silva, COO da love.fútbol, o projeto representa mais do que uma iniciativa esportiva, mas um chamado coletivo para a correção de uma injustiça histórica.
“O Joga Pra Elas é um chamado coletivo para corrigir uma injustiça histórica. Quando criamos ambientes onde meninas são vistas, estimuladas e valorizadas, ampliamos horizontes, fortalecemos lideranças e transformamos territórios. A Liga Social, iniciada em Pernambuco, é o primeiro passo de um movimento que nasce para durar e gerar impacto real em todo o Brasil, ainda mais levando em conta que em 2027 o País irá sediar a Copa do Mundo das Mulheres”, afirma.
A fala reforça o caráter estrutural da proposta, que não se limita a ações pontuais, mas busca criar bases sólidas para a permanência e o crescimento da participação feminina no esporte.
Metodologia comunitária e parcerias estratégicas
Desenvolvida em parceria com Pazear e Instituto Geração 4, e com apoio do Equal Play Fund/Common Goal, a Liga Social Joga Pra Elas aplica a metodologia comunitária da love.fútbol, reconhecida internacionalmente por transformar espaços esportivos em centros de convivência, pertencimento e desenvolvimento humano.
A metodologia parte do envolvimento direto das comunidades em todas as etapas do processo, desde o diagnóstico das necessidades locais até a implementação das ações. O objetivo é garantir que os espaços esportivos sejam seguros, inclusivos e representativos, estimulando a participação ativa de meninas e mulheres não apenas como atletas, mas também como treinadoras, gestoras e lideranças.
A expectativa é que, até 2027, o programa tenha potencial para alcançar cerca de 700 crianças e adolescentes em iniciativas formais e informais de esporte para o desenvolvimento em todo o país. A Liga Social, iniciada em Pernambuco, funciona como um projeto-piloto que poderá ser expandido para outras regiões do Brasil nos próximos anos.
Preparação para a Copa do Mundo Feminina de 2027
O lançamento da Liga Social Joga Pra Elas ocorre em um contexto simbólico e estratégico. Com o Brasil confirmado como sede da Copa do Mundo Feminina de 2027, cresce a necessidade de investir não apenas na elite do esporte, mas também na base, garantindo que meninas tenham acesso, permanência e oportunidades reais no futebol.
A proposta da love.fútbol dialoga diretamente com esse cenário, ao entender que grandes eventos esportivos devem deixar legados sociais concretos. Ao fortalecer projetos comunitários e formar mulheres para atuar no esporte, a Liga Social contribui para que a Copa do Mundo de 2027 represente mais do que jogos e estádios, mas também avanços em equidade e inclusão.
Uma rede para durar
Mais do que números, oficinas ou formações, o Joga Pra Elas aposta na criação de uma rede sólida e colaborativa. A conexão entre projetos sociais, educadores, treinadoras e lideranças comunitárias é vista como fundamental para garantir a continuidade das ações e o impacto a longo prazo.
Ao posicionar meninas e mulheres no centro da transformação esportiva, a Liga Social Joga Pra Elas reforça a ideia de que o esporte pode — e deve — ser um espaço de igualdade, oportunidades e desenvolvimento humano.
Sobre a love.fútbol
A love.fútbol é uma organização global sem fins lucrativos que atua desde 2006 em parceria com comunidades ao redor do mundo para criar, recuperar e redefinir espaços esportivos como centros comunitários e plataformas duradouras para o desenvolvimento da juventude e de seus territórios.
Presente em mais de 23 países, nos cinco continentes, a organização utiliza uma metodologia baseada na atuação conjunta com moradores locais, impulsionando um movimento global pelo direito ao brincar como ferramenta de desenvolvimento humano e social.














