Ponte Giratória é reaberta no Recife após reforma estrutural, atraso de quase dois anos e aumento de custos

    A Prefeitura do Recife entregou, nesta terça-feira (23), a reforma da Ponte 12 de Setembro, popularmente conhecida como Ponte Giratória, localizada no Centro da capital pernambucana. A obra, considerada uma das mais complexas já realizadas em equipamentos viários da cidade, foi concluída após quase dois anos de atraso em relação ao prazo inicial e com um aumento significativo no orçamento. A circulação de veículos foi liberada a partir da manhã da quarta-feira (24), com mudanças no tráfego da região, já que no dia da entrega o local precisou ser parcialmente interditado em função do espetáculo Baile do Menino Deus, realizado no Marco Zero.

A ponte, que liga os bairros de São José e do Recife, passou por uma requalificação estrutural profunda, considerada essencial para garantir a segurança de motoristas e pedestres. Inicialmente orçada em R$ 9,4 milhões, a obra teve o custo elevado para cerca de R$ 14 milhões após a identificação de problemas estruturais graves, o que exigiu nova licitação e alterações no projeto executivo. Ao final, o valor executado chegou a aproximadamente R$ 21,4 milhões, dentro de um contrato global de R$ 23,8 milhões.

Reforma complexa e reforço estrutural

As intervenções na Ponte Giratória começaram em 2022, mas ganharam maior complexidade a partir de 2023, quando a estrutura precisou ser totalmente interditada para veículos. Durante os serviços iniciais de recuperação do tabuleiro externo, a equipe técnica identificou danos no sistema de protensão da ponte — falhas construtivas que remontam à década de 1970 e que só puderam ser detectadas após a escarificação do concreto.

Diante do cenário, a obra foi suspensa para a realização de novos ensaios e estudos técnicos. Mais de 30 testes estruturais foram feitos até que se chegasse a uma solução considerada segura e definitiva. A partir disso, a requalificação foi retomada em setembro do ano passado, com prazo estimado de 18 meses.

Entre os serviços executados estão o reforço das vigas longarinas, a aplicação de protensão externa, a injeção de epóxi — polímero utilizado para aumentar a resistência do concreto — e o preenchimento de vazios estruturais. Além disso, a ponte recebeu uma nova proteção externa para aumentar sua durabilidade frente à ação do tempo e da maresia.

Segundo o prefeito do Recife, João Campos, a intervenção era imprescindível para evitar um colapso da estrutura. “Estamos falando de uma recuperação estrutural extremamente desafiadora e, se não tivesse sido feita essa obra, a ponte teria caído, literalmente. Governar é ter responsabilidade. Imagina um dia de Carnaval, com milhares de pessoas passando ali, e um acidente acontecer”, afirmou o gestor, que é engenheiro civil de formação.

Antecipação da entrega e impacto no trânsito

A previsão inicial era que a Ponte Giratória fosse entregue apenas em março de 2026. No entanto, a prefeitura conseguiu antecipar a conclusão para dezembro deste ano, garantindo a liberação do equipamento viário antes das festas de fim de ano e do Carnaval de 2026.

Durante o período de interdição total, motoristas que vinham da Zona Sul do Recife precisaram utilizar rotas alternativas, como o Cais de Santa Rita, o que agravou os congestionamentos, especialmente nos horários de pico. Com a reabertura, a expectativa da gestão municipal é melhorar significativamente a fluidez do trânsito na área central.

Com a nova configuração, os veículos que seguem pelo Cais de Santa Rita em direção ao Bairro do Recife podem atravessar diretamente a Ponte Giratória e acessar a Avenida Alfredo Lisboa, ou fazer o giro à esquerda na Avenida Martins de Barros para chegar à Ponte Maurício de Nassau. Já quem circula pelo Cais da Alfândega ou pela Rua Madre de Deus pode utilizar a Ponte Giratória para se deslocar em direção às zonas Sul e Oeste da cidade.

A presidente da CTTU, Taciana Ferreira, destacou que a reabertura devolve à ponte sua função estratégica na mobilidade urbana. “Quando foi necessária a interdição para a reforma, houve uma redução da capacidade viária. Agora, a gente volta com essa ampliação, permitindo novas conexões e melhorando a circulação no Bairro do Recife”, afirmou.

Um marco histórico da cidade

Mais do que um equipamento viário, a Ponte Giratória é um símbolo da história urbana do Recife. A primeira estrutura no local começou a ser construída em 1920 e foi inaugurada em 5 de dezembro de 1923, durante as gestões do governador Sérgio Loreto e do prefeito Antônio de Góis Cavalcanti. A ponte original era formada por três lances de ferro, sendo um deles giratório, mecanismo que permitia a passagem de embarcações que acessavam o Porto do Recife.

A obra integrou o Plano de Melhoramento e Reforma do Porto e do Bairro do Recife, executado entre 1909 e 1926, período de intensa transformação urbana da cidade. A responsável pela construção foi a empresa francesa Société de Construction du Port de Pernambuco, evidenciando a influência europeia nos projetos de engenharia da época.

Com o passar das décadas, o crescimento urbano e a mudança no perfil de navegação tornaram desnecessário o sistema giratório da ponte. Além disso, a estrutura metálica sofreu desgaste natural após cerca de 50 anos de exposição à maresia. Em 1970, iniciou-se o processo de substituição da antiga ponte por uma nova estrutura de concreto armado.

A Ponte 12 de Setembro

A atual ponte foi inaugurada em 10 de março de 1971 e recebeu oficialmente o nome de Ponte 12 de Setembro, em referência à data de início das reformas do Porto do Recife, em 1918. A obra foi concluída durante a gestão do prefeito Geraldo Magalhães Melo, que deixou o cargo pouco depois, sendo sucedido por Augusto Lucena. No âmbito estadual, o governador era Nilo Coelho, substituído por Eraldo Gueiros dias após a inauguração.

Apesar do nome oficial, a população recifense nunca deixou de chamar a estrutura de Ponte Giratória. Em 2003, a Lei Municipal nº 16.916 reconheceu oficialmente a denominação “Antiga Ponte Giratória” como nome popular da Ponte 12 de Setembro.

Características técnicas

Com 195,25 metros de extensão, a ponte possui cinco vãos, sendo três centrais, com medidas aproximadas de 41,45 m, 43,35 m e 41,45 m, além de dois vãos de 34 m nas extremidades. A estrutura é composta por um tabuleiro único e contínuo, com seção transversal do tipo caixão, transversinas e altura variável em cada apoio.

A largura total é de 22 metros, com passeios para pedestres nos dois lados — 3 metros no lado norte e 2 metros no lado sul —, duas faixas de rolamento com cerca de 4 metros cada e guarda-rodas de aproximadamente 0,2 metro.

Requalificação urbana e futuro

A reabertura da Ponte Giratória integra um conjunto de intervenções viárias e urbanísticas realizadas nos bairros do Recife, Santo Antônio e São José, regiões que vêm recebendo novos equipamentos públicos e privados. Agentes da CTTU estarão atuando no entorno para orientar condutores e pedestres, garantindo segurança e fluidez no tráfego.

Com a entrega da obra, a prefeitura afirma ter cumprido um protocolo técnico iniciado ainda em 2018, quando foi realizada uma vistoria geral das pontes da cidade. “A ponte está entregue, está segura e pronta para ser utilizada pelas pessoas”, concluiu o prefeito João Campos.

Vamos compartilhar?