Procon autua 22 postos no Recife após gasolina chegar a R$ 7,78 sem aumento anunciado pela Petrobras.

Fiscalização investiga reajustes após consumidores relatarem alta repentina no preço do combustível

O preço da gasolina voltou a chamar atenção dos consumidores no Recife após uma série de aumentos repentinos registrados em postos de combustíveis da capital pernambucana. Segundo o Procon Recife, o litro chegou a ser vendido por R$ 7,78 em um dos estabelecimentos fiscalizados. Até o momento, 22 postos foram autuados por suspeita de aumento injustificado no valor do combustível.

A fiscalização ocorreu ao longo desta semana. Na quinta-feira (12), equipes do órgão vistoriaram dez postos de combustíveis. Já na quarta-feira (11), outros 12 estabelecimentos haviam sido inspecionados. De acordo com o Procon, todos os locais fiscalizados foram autuados por não apresentarem comprovação de aumento nos custos que justificasse o reajuste nas bombas.

Os postos agora têm prazo de três dias para apresentar defesa e documentação que comprove a necessidade da elevação no preço do combustível.

Fiscalização busca identificar reajustes sem justificativa

Segundo o Procon, a operação foi motivada por diversas denúncias feitas por consumidores que perceberam aumentos repentinos no preço da gasolina em diferentes pontos da cidade.

De acordo com o órgão de defesa do consumidor, a investigação pretende verificar se os estabelecimentos elevaram o preço mesmo tendo combustível comprado anteriormente por valores menores, prática considerada irregular caso não seja devidamente justificada.

Em nota, o Procon informou que, até o momento, nenhum dos postos apresentou documentação que explique os reajustes aplicados.

“Até o momento, nenhum estabelecimento apresentou evidências que justifique o aumento. Numa segunda etapa, após a defesa dos estabelecimentos, se comprovada a irregularidade, poderão ser aplicadas sanções pela autoridade administrativa com base no Código de Defesa do Consumidor (CDC)”, informou o órgão.

Caso as irregularidades sejam confirmadas após a análise das defesas, os estabelecimentos poderão sofrer penalidades administrativas previstas na legislação.

Petrobras não anunciou aumento no período

A alta repentina nos preços chamou atenção principalmente porque não houve reajuste recente anunciado pela Petrobras para a gasolina nas refinarias.

Segundo a estatal, o último movimento relacionado ao combustível ocorreu em janeiro, quando houve uma redução no preço. A empresa também reforçou que não atua diretamente na distribuição nem na venda final ao consumidor.

A Petrobras explicou que sua atuação se limita à produção, ao refino e à comercialização do combustível para as distribuidoras, que são responsáveis por repassar o produto aos postos.

Dessa forma, o preço final cobrado nos postos pode variar conforme decisões tomadas por distribuidores e revendedores.

Distribuidoras e postos divergem sobre a origem do aumento

Diante das reclamações e da fiscalização, representantes do setor apresentaram explicações diferentes para a elevação repentina nos preços.

O presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo de Pernambuco (Sindicombustíveis), Alfredo Pinheiro Ramos, afirmou que os postos não foram responsáveis pelo início do reajuste.

Segundo ele, o aumento teria sido praticado pelas distribuidoras, que repassaram novos valores aos revendedores.

Ramos também argumentou que o preço do combustível sofre influência direta do mercado internacional de petróleo, que é negociado em dólar. De acordo com ele, fatores geopolíticos podem impactar esse cenário.

O dirigente citou ainda que a guerra envolvendo Estados Unidos e Israel contra o Irã teria provocado oscilações no mercado internacional do petróleo, o que poderia ter influenciado os preços praticados pelas distribuidoras.

Na avaliação dele, os postos acabam funcionando apenas como repassadores desses valores.

Mercado de combustíveis opera em regime de livre concorrência

Já o Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e de Lubrificantes (Sindicom) apresentou outra posição sobre o tema.

Por meio de nota, a entidade afirmou que o mercado de combustíveis no Brasil opera sob regime de livre concorrência. Isso significa que cada empresa da cadeia — seja refinaria, distribuidora ou posto — pode definir suas próprias margens e preços.

Segundo o sindicato, cada agente econômico estabelece sua política comercial de forma independente, respeitando as regras de mercado.

Esse modelo explica por que os preços podem variar significativamente entre diferentes postos ou cidades, mesmo sem reajustes oficiais nas refinarias.

Levantamento da ANP mostra diferença nos preços

Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) ajudam a dimensionar a mudança recente nos preços.

De acordo com levantamento realizado pela agência entre 1º de março e o último sábado (7), o preço médio da gasolina no Recife estava em R$ 6,66.

Nos dias seguintes, porém, consumidores passaram a relatar aumentos que chegaram perto de R$ 1 por litro em alguns estabelecimentos.

Esse salto repentino levou órgãos de fiscalização a intensificarem as ações de monitoramento no mercado local.

Consumidores podem registrar denúncias

O Procon orienta que consumidores que identifiquem possíveis irregularidades no preço do combustível façam denúncias ao órgão.

As reclamações podem ser registradas pelo site oficial do Procon Recife, por e-mail ou telefone. A participação da população é considerada importante para ajudar a identificar práticas abusivas no mercado.

Os canais disponíveis para denúncia são:

Site oficial do Procon Recife
E-mail: procon@recife.pe.gov.br
Telefone: 0800.281.1311

Segundo o órgão, as informações enviadas pelos consumidores ajudam a direcionar novas fiscalizações e garantir maior transparência nas relações de consumo.

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