A cantora, compositora e percussionista Negadeza lança, no próximo dia 10 de abril, o EP autoral “Herança Ancestral”, ao lado de seu filho, o multi-instrumentista Zuri Ribeiro. O trabalho chega às plataformas digitais como uma homenagem ao coco pernambucano e às raízes familiares da artista, neta de Selma do Coco e filha de Aurinha do Coco.
Com seis faixas, o EP propõe uma imersão na tradição do coco como expressão viva, conectando passado, presente e futuro por meio de narrativas íntimas e sonoridades marcadas pela percussão.
Trabalho celebra ancestralidade e continuidade cultural
Mais do que um registro musical, “Herança Ancestral” surge como um manifesto artístico sobre pertencimento, memória e resistência cultural. Ao longo do EP, Negadeza transforma sua trajetória familiar em música, reafirmando o coco como prática viva e em constante renovação.
“Eu sinto minhas mestras comigo quando canto, como se a minha voz viesse acompanhada”, afirma a artista, destacando a presença simbólica de sua mãe e avó em sua obra.
A proposta do projeto é clara: cada faixa carrega um vínculo familiar e emocional, costurando histórias que atravessam gerações.
Repertório constrói narrativa afetiva
O EP é aberto pela faixa “Herança Ancestral”, já lançada como single e dedicada à avó Selma do Coco. “É por causa dela que eu faço o coco… Percussionista, cantora, compositora. Essa música foi especialmente para minha avó, em gratidão a tudo que nos deixou”, explica Negadeza.
Na sequência, “Mestra Querida” presta homenagem à mãe, Aurinha do Coco. A canção foi composta por Lucas Furtunato no dia da morte da artista e, segundo Negadeza, representa um gesto de carinho em um momento de despedida. “No dia em que a minha mãe faleceu, meu amigo fez essa música para ela e me mandou. E eu gravei agora para deixar marcada a sua importância em minha vida”, relembra.
A faixa “Serenou” também dialoga com a memória de Aurinha, incorporando elementos espirituais e referências às religiões de matriz africana, como Iemanjá e Oyá/Iansã, além de imagens ligadas ao cotidiano do coco, como a construção de casas de taipa.

Nova geração assume protagonismo
Em “O Caminho”, o protagonismo passa para Zuri Ribeiro, que assina a composição. Aos 15 anos, o jovem artista reflete sobre o peso e a responsabilidade de carregar o legado familiar.
“Não é fácil ser filho e neto de mulheres tão fortes e, na canção, ele diz: o caminho é muito longe, mas eu vou chegar”, destaca Negadeza.
A faixa se transforma em uma homenagem às três gerações de mulheres que marcaram a história da família, reforçando a ideia de continuidade.
Produção reforça identidade sonora do coco
A produção musical do EP é assinada por Zuri Ribeiro, que também participa ativamente da execução dos instrumentos. A parceria entre mãe e filho constrói uma sonoridade orgânica, com forte presença da percussão e valorização dos elementos tradicionais do coco.
Zuri, que é afilhado de Hermeto Pascoal, cresceu imerso nesse universo musical e assume, neste projeto, um papel central na arquitetura sonora do trabalho.
Projeto coletivo fortalece independência artística
Outro destaque do EP é sua viabilização por meio de financiamento coletivo. Ao todo, 165 apoiadores contribuíram para a realização do projeto, evidenciando o engajamento do público com a proposta artística.
A iniciativa reforça o caráter independente do trabalho e a importância da colaboração para manter vivas tradições culturais muitas vezes marginalizadas.
Trajetória consolidada na música brasileira
Natural de Recife e criada em Olinda, Negadeza construiu uma carreira sólida ao longo de mais de 30 anos. Atualmente radicada no Rio de Janeiro, a artista é reconhecida como uma das principais percussionistas do país.
Ao longo de sua trajetória, já colaborou com nomes importantes da música brasileira, como Naná Vasconcelos, Dominguinhos, Geraldo Azevedo, Gilberto Gil e Alceu Valença, entre outros.
Além disso, integrou a banda do Prêmio Multishow 2025 e mantém atuação ativa em shows, oficinas e projetos internacionais.
Faixas do EP
Herança Ancestral
Mestra Querida
Serenou
O Caminho
Vida que segue
Solo de Pandeiro














