Mombojó celebra 25 anos de estrada com estreia do álbum ‘Solar’ em show no Recife

A banda pernambucana Mombojó sobe ao palco do Recife nesta sexta-feira (22) para apresentar ao público, pela primeira vez ao vivo, o álbum “Solar”, trabalho que marca o retorno do grupo aos discos inéditos após seis anos. O show acontece no Brilho Cultural, no bairro de Santo Antônio, área central da capital pernambucana, a partir das 21h, com abertura do músico Nailson Vieira.

O novo trabalho chega em um momento simbólico da trajetória da banda. Em meio às comemorações pelos 25 anos de carreira, “Solar” surge como um disco marcado pelo desejo de reencontro com o público, com a dança e com a celebração coletiva depois dos anos de isolamento social. O álbum reúne oito faixas inéditas e mantém a identidade sonora que consolidou a Mombojó como um dos nomes mais importantes da música alternativa brasileira, transitando entre indie, psicodelia, samba, ciranda e música popular brasileira.

Sob uma atmosfera inspirada pelas paisagens, pela luz e pela energia do Recife, o grupo transforma a cidade em personagem central do novo trabalho. As referências afetivas e musicais da capital pernambucana aparecem tanto nas letras quanto nos arranjos, criando um disco que dialoga diretamente com a cultura local sem abrir mão da experimentação sonora que sempre marcou a trajetória da banda.

Recife inspira nova fase da banda

Para o vocalista Felipe S., o álbum nasceu da vontade de reconexão com a vida urbana e com os encontros presenciais. Segundo ele, o clima solar do disco reflete diretamente esse desejo de ocupar novamente os espaços coletivos.

“Todas as músicas carregam essa vontade de botar a cara no sol, sair pra dançar e se misturar com as pessoas”, afirma o artista.

Felipe destaca ainda que o Recife continua sendo uma das principais fontes de inspiração estética e musical do grupo.

“Recife é de onde tiramos muitas das nossas referências musicais e estéticas. Lugares ensolarados trazem naturalmente uma energia dançante e de festa”, comenta.

Essa relação íntima com a cidade aparece em diferentes momentos de “Solar”, seja nas referências à cultura popular pernambucana, seja nas texturas sonoras que remetem à atmosfera litorânea e urbana do Recife.

Disco reúne nomes nacionais e internacionais

Além de reforçar as raízes locais, “Solar” amplia os horizontes da Mombojó através de colaborações com artistas brasileiros e internacionais. Entre os convidados do álbum está Laetitia Sadier, integrante da banda franco-britânica Stereolab.

O disco também conta com participações dos franceses Hervé Salters e Anthony Malka. Já entre os brasileiros, aparecem nomes como Letrux, Sofia Freire, Domenico Lancellotti, além de Nailson Vieira, Quéops Negronski e Lucas Afonso.

Musicalmente, o álbum mistura grooves hipnóticos, sintetizadores psicodélicos, elementos da ciranda e melodias contemplativas, reforçando a característica experimental da banda.

Outro destaque do projeto é o reencontro com o produtor Léo D, parceiro da Mombojó desde “Nadadenovo”, disco de estreia lançado em 2004.

Processo mais maduro marcou gravação

Segundo Felipe S., “Solar” representa uma mudança importante na forma como a banda encara seus processos criativos. O músico afirma que, desta vez, o grupo optou por trabalhar as músicas com mais calma antes de entrar em estúdio.

“Ao longo da nossa história eu comecei a pensar em como muitas vezes a gente se colocava nesse lugar de se cobrar para lançar algo novo meio às pressas”, revela.

Ele destaca que o disco ganhou mais tempo de maturação, permitindo que os integrantes explorassem melhor os arranjos e desenvolvessem maior conexão afetiva com as canções.

“Ensaiar as músicas antes, ir pro estúdio, tocar junto, sentir o arranjo acontecendo ali. Acho que as músicas mais trabalhadas acabam criando mais afeto na gente… talvez nas pessoas também”, acrescenta.

O tecladista Chiquinho também ressalta os desafios enfrentados ao longo das duas décadas e meia de carreira.

“A gente teve que aprender a se adaptar às mudanças do mercado, da vida e da própria dinâmica entre a gente”, afirma.

Mesmo com os integrantes vivendo atualmente em estados diferentes — Pernambuco, Bahia e São Paulo —, o músico acredita que a conexão artística segue intacta.

“Mesmo com todas essas mudanças, ainda existe uma emoção real quando a gente faz música junto. Acho que isso mantém a banda viva”, completa.

Dança, clima e afetos atravessam o álbum

Entre as faixas que mais chamam atenção em “Solar” está “É o Poder da Dança”, música inspirada pela sonoridade da banda turca Altin Gün e construída como uma espécie de mantra coletivo.

Outra faixa de destaque é “Sob o Vento Forte”, que traz uma reflexão implícita sobre a crise climática. Já “Abaixo a Realidade”, parceria com Letrux, aproxima a Mombojó do universo pop contemporâneo explorado pela cantora carioca.

O álbum também reserva espaço para momentos mais íntimos. Em “Em Cima da Areia”, Felipe S. divide composição com a filha Pilar, em uma canção atravessada pelo ritmo da ciranda e pelo trombone de Nailson Vieira.

Encerrando o disco, “Canudo de Luz” reúne diferentes colaboradores em uma construção coletiva que mistura synths, vozes e percussões em clima contemplativo.

Show promete experiência sensorial no Recife

A estreia de “Solar” no palco do Brilho Cultural promete transportar para o ao vivo toda a atmosfera criada no disco. A expectativa é de uma apresentação marcada por guitarras psicodélicas, grooves dançantes e forte interação com o público.

O espaço, localizado no bairro de Santo Antônio, vem se consolidando como um importante polo de circulação da música alternativa e independente no Recife, recebendo shows de artistas locais e nacionais.

Os ingressos para a apresentação estão disponíveis a partir de R$ 40 através da plataforma Bilheteria Digital.

Serviço

Evento: Lançamento do álbum “Solar”
Atração: Mombojó
Abertura: Nailson Vieira
Quando: Sexta-feira (22), às 21h
Onde: Brilho Cultural – Rua Ulhôa Cintra, 122, Santo Antônio, Recife-PE
Ingressos: A partir de R$ 40, na Bilheteria Digital

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