Lia de Itamaracá terá trajetória retratada em série audiovisual inédita

A história de uma das maiores referências da cultura popular brasileira está prestes a ganhar as telas. A cirandeira Lia de Itamaracá será protagonista da série audiovisual “Maria Madalena – Lia de Itamaracá”, produção que começou a ser gravada neste mês e promete apresentar ao público uma visão íntima e sensível da mulher por trás do ícone da ciranda.

Dirigida pela cineasta pernambucana Lia Letícia, a obra contará com seis episódios de 23 minutos cada e teve seu episódio piloto filmado na praia de Jaguaribe, na Ilha de Itamaracá, local onde a artista vive. O projeto é produzido em parceria com Beto Hees, da Ciranda Produções, com incentivo do Funcultura Audiovisual, e busca novos patrocinadores para viabilizar a conclusão da série.

Misturando documentário e ficção, a produção acompanha a trajetória de Maria Madalena Correia do Nascimento, nome de batismo de Lia, desde a infância marcada pelas dificuldades até o reconhecimento nacional e internacional como uma das principais representantes da cultura nordestina. A narrativa ganha ainda mais profundidade ao ser conduzida pela própria artista, com interpretações de sua sobrinha Maria Salete e da sobrinha-neta Pietra Victória, que representam diferentes fases de sua vida.

“Eu sempre soube que seria artista. O povo ria de mim quando eu dizia isso ainda menina, porque naquele tempo uma mulher preta, pobre e da Ilha sonhar isso tudo parecia impossível. Mas eu nunca deixei de acreditar”, afirma Lia na produção.

Ao longo de mais de seis décadas de carreira, Lia de Itamaracá se tornou um símbolo da resistência cultural brasileira. Reconhecida como Patrimônio Vivo de Pernambuco e Doutora Honoris Causa pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), ela transformou a ciranda em patrimônio afetivo e cultural para diferentes gerações.

Para a diretora Lia Letícia, a importância da artista vai além da música. “Quando falamos de Lia, não estamos falando apenas de uma artista consagrada, mas de uma mulher negra, nordestina e periférica que atravessou décadas resistindo através da cultura. A trajetória dela reúne questões de território, ancestralidade, memória, racismo, pertencimento e sobrevivência”, destaca.

Aos 82 anos, Lia segue em plena atividade artística. Além de participações em produções cinematográficas como Bacurau e Recife Frio, a artista lançou recentemente o álbum “Pelos Olhos do Mar”, em parceria com a cantora Daúde, e continua levando sua arte para festivais e eventos dentro e fora do Brasil.

A série surge como mais um importante registro da vida e da obra de uma artista que transformou sua voz, sua história e sua cultura em um legado para a música e para a identidade brasileira.

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