Cerca de mil livros foram doados na manhã desta sexta-feira (24) ao Ministério Público Federal (MPF) para a criação de bibliotecas em três presídios de Pernambuco. Os exemplares, arrecadados no Centro Universitário Tiradentes (Unit), na Imbiribeira, e na Faculdade Tiradentes (Fits), em Goiana, serão destinados às unidades prisionais com o apoio da Polícia Rodoviária Federal (PRF), responsável também pela logística de recolhimento.
A iniciativa reúne títulos variados, incluindo livros didáticos, obras de ensino médio e literatura brasileira e internacional. Parte do material também foi cedida pela população, reforçando o caráter coletivo da ação. O objetivo é incentivar a leitura entre pessoas privadas de liberdade e contribuir para a ressocialização por meio do conhecimento.
Segundo o bibliotecário da Unit, Hoton Esteves, os livros doados faziam parte de um acervo desatualizado, mas ainda possuem relevância para formação educacional e cultural. “Nossa intenção é fazer essa extensão social, colaborar com o desenvolvimento da sociedade, criar novos leitores, reflexão e quem sabe nova realidade a essas pessoas que ficam reclusas durante tanto tempo”, afirmou. Ele destacou ainda o papel transformador da leitura, ressaltando que o acesso aos livros pode abrir caminhos e ampliar perspectivas para os detentos.
Leitura como ferramenta de ressocialização
A criação de bibliotecas dentro do sistema prisional é vista como uma estratégia importante para promover educação e cidadania. Além de estimular o hábito da leitura, a iniciativa contribui para o desenvolvimento crítico e emocional dos internos, auxiliando no processo de reintegração social.
No Brasil, a leitura também pode impactar diretamente o tempo de cumprimento da pena. A prática é reconhecida como forma de remição, prevista na Lei de Execução Penal (LEP) e regulamentada pela Resolução nº 391/2021 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). De acordo com as normas, presos podem reduzir parte da pena ao ler livros e produzir relatórios sobre as obras.
Redução de pena por meio dos livros
Para ter direito ao benefício, o detento precisa comprovar a leitura por meio de um relatório ou resenha, que será avaliado por uma comissão responsável. Cada obra lida pode resultar na redução de alguns dias da pena, incentivando a participação dos internos em atividades educativas.
A medida busca não apenas diminuir o tempo de encarceramento, mas também promover a formação intelectual e o senso crítico dos participantes. Especialistas apontam que iniciativas como essa ajudam a reduzir a reincidência criminal, ao oferecer novas perspectivas de vida após o cumprimento da pena.
Impacto social da iniciativa
A doação dos livros reforça a importância da colaboração entre instituições de ensino, órgãos públicos e sociedade civil. Ao destinar materiais que já não são mais utilizados academicamente, as universidades contribuem para democratizar o acesso à leitura e ampliar oportunidades dentro do sistema prisional.
A expectativa é que as bibliotecas formadas a partir dessa ação se tornem espaços de aprendizado e reflexão, beneficiando centenas de detentos em Pernambuco. A iniciativa também pode servir de exemplo para outras instituições interessadas em promover ações semelhantes.















