Um levantamento divulgado nesta quarta-feira (23) pela Câmara de Dirigentes Lojistas do Recife, em parceria com o Centro Universitário Frassinetti do Recife, revela que o Centro do Recife continua sendo o principal destino de compras para consumidores da Região Metropolitana. A pesquisa, realizada entre os dias 23 e 27 de março com 536 entrevistados, mostra que o público busca principalmente preços acessíveis e grande variedade de produtos, apesar de ainda enfrentar desafios relacionados à mobilidade e segurança.
Centro se destaca pela economia e diversidade
De acordo com o estudo, o Centro da capital pernambucana mantém forte apelo comercial por concentrar diferentes segmentos em um mesmo espaço. Ruas especializadas em determinados nichos — como artigos para festas, eletrônicos, vestuário e itens de maternidade — contribuem para que o consumidor encontre opções variadas com preços mais competitivos.
Durante a apresentação dos dados, o presidente da CDL Recife, Fred Leal, destacou a relevância dessas informações para o setor. “Dados são uma das ferramentas mais estratégicas para o nosso sistema. Essa amostragem do comportamento dos consumidores da região central do Recife é um instrumento que nos direciona sobre o ambiente de negócios e as necessidades desses clientes, que vão além do produto consumido. Esses dados são fundamentais para a busca por melhorias no Centro do Recife, reforçando o protagonismo econômico da área”, afirmou.
Outro ponto ressaltado é a possibilidade de experimentar produtos presencialmente e, ao mesmo tempo, aproveitar facilidades como compras online com retirada na loja, além de condições de parcelamento mais acessíveis.
Estrutura comercial consolidada
Segundo o último censo lojista, realizado em 2022, o Centro do Recife conta com mais de 1,5 mil estabelecimentos comerciais, abrangendo setores como calçados, cosméticos, móveis, construção, brinquedos e alimentação. Esse ecossistema movimenta a economia local e gera milhares de empregos.
A iniciativa da pesquisa também contou com o apoio de entidades como o Sindicato dos Lojistas do Comércio de Bens e Serviços do Recife, a Prefeitura do Recife, por meio do Recentro, e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas.
Desafios ainda impactam experiência do consumidor
Apesar da força comercial, o estudo aponta que fatores como mobilidade urbana, segurança, iluminação e limpeza ainda influenciam diretamente a experiência de quem frequenta o Centro.
Fred Leal reforçou que o acesso à região é uma das principais dificuldades. “O acesso ao Centro do Recife, muitas vezes, é um desafio para o consumidor. Há o fator distância, especialmente para quem vem de regiões descentralizadas ou outros municípios, e depende do transporte público. Outros fatores também estão no nosso radar, como limpeza urbana, iluminação e segurança”, destacou.
Esses pontos são considerados estratégicos para a formulação de políticas públicas que possam fortalecer ainda mais o comércio local.
Pesquisa busca orientar decisões estratégicas
O estudo foi coordenado por Eduardo da Costa Aguiar, especialista em Gestão Estratégica de Marketing. Segundo ele, a metodologia envolveu entrevistas com pessoas de diferentes perfis e idades, em vários pontos do Centro, garantindo uma amostra diversificada.
A proposta foi entender não apenas o comportamento de compra, mas também aspectos como frequência de visitas, origem dos consumidores, meios de transporte utilizados e percepção geral da experiência.
Para Aguiar, os resultados vão além de um diagnóstico. “Os resultados evidenciam padrões consistentes, como a percepção do Centro como um polo de preço acessível e grande variedade. Esse tipo de evidência ultrapassa opiniões isoladas e se consolida como base concreta para orientar decisões estratégicas”, explicou.
Ele também destacou que a identificação de fragilidades e oportunidades permite direcionar ações de curto, médio e longo prazo, transformando os dados em ferramenta de desenvolvimento.
Parceria entre instituições fortalece o comércio
A colaboração entre UniFafire e CDL Recife foi apontada como um modelo de integração entre academia e mercado. Segundo os organizadores, esse tipo de parceria contribui diretamente para o fortalecimento econômico da região central.
“A produção de conhecimento, quando articulada com as demandas da sociedade, tem o poder de gerar impacto real, apoiar a tomada de decisão e contribuir para o fortalecimento econômico do Centro do Recife. Investir em pesquisa é, acima de tudo, investir em desenvolvimento, inovação e futuro”, ressaltou o coordenador.
Centro não compete com shoppings, aponta estudo
Um dos dados relevantes da pesquisa indica que o Centro do Recife não disputa diretamente com os shoppings centers. Segundo o levantamento, cada ambiente atende a diferentes ocasiões de consumo.
Enquanto os centros comerciais oferecem experiências mais voltadas ao lazer e conforto, o Centro se consolida como destino para compras mais objetivas, com foco em economia e variedade.
“O futuro do Centro não é virar shopping. É melhorar a experiência de compra para o consumidor em todo o comércio”, concluiu Fred Leal.
Caminhos para o futuro
Os dados apresentados reforçam a importância de investimentos em infraestrutura urbana e políticas públicas que ampliem a segurança e facilitem o acesso à região central. Ao mesmo tempo, evidenciam o potencial econômico do Centro do Recife como um dos principais polos comerciais da cidade.
A pesquisa surge como ferramenta estratégica para orientar ações que possam melhorar a experiência do consumidor e fortalecer o comércio local, mantendo a relevância histórica e econômica da região.














